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Veja também:Sua majestade, o chá verde, com uma receita de cheesecake

O chá verde sempre fez parte do meu cotidiano. Antes, durante ou após as refeições, numa conversa de amigos ou acompanhando um doce, essa bebida, para mim, é tão importante quanto café para a maioria das pessoas. No entanto, recentemente, chá verde virou a bebida da moda, mas por um motivo menos “gastronômico” do que suas propriedade organolépticas. Agora, todos bebem chá verde para emagrecer. Procurei por “chá verde” no Google, e a primeira ocorrênica foi um site que falava da “dieta do chá verde“. Entre várias barbaridades, para aqueles que não gostam do gosto, existe a sugestão de fazer a infusão com casca de abacaxi! Ainda na primeira página de resultados do site de procura, havia uma matéria do Falha de SP (não é erro de digitação), onde falam até em ferver a água do chá (quando na verdade, dependendo da variedade do chá verde, a temperatura ideal é entre 80 e 50 graus Celsius)! Nessa mesma matéria eram indicadas as vantagens terapêuticas e as “contra indicações”.

Sim, chá verde virou remédio. No início uma pílula mágica metafórica para o emagrecimento e a eterna juventude. Depois virou uma pílula literal, em forma de cápsulas com folhas em pó, engolidas aos montes por pessoas que esquecem que uma silhueta saudável (que para mim, não quer dizer necessariamente anoréxica) vem de dieta balanceada e exercícios.  Uma panacéia para os que acreditam nessa indústria da saúde e da forma, que vende revistas como se fossem bíblias e dietas como se fossem dogmas. Aos poucos sortudos, a bebida virou um placebo, que funciona acompanhada de uma dieta que corta tudo e impõe rotinas de exercícios espartanos. Não admira emagrecer, principalmente depois de ficar com o estômago cheio com 5 xícaras de chá antes das refeições.

E para completar sua face medicinal, as pessoas bebem chá verde tampando o nariz, como se estivesse bebendo aquele xarope horrível que suas mães obrigavam a tomar. Nem tentam obter o prazer sentido pelos asiáticos em milhares de anos de consumo da Camellia sinensis. Não conhecem as delícias de um bom gyokuro de Uji ou um doce feito com matcha.

E para piorar, os chás vendidos no Brasil não ajudam, pois são muito caros ou são ruins demais. Os caros são vendidos em butiques, em um ambiente estranho a história da bebida, onde os preços sobem às alturas, devido ao extra proporcionado pelo luxo do shopping center e do valet. Já os vendidos por aí, em caixinhas com saquinhos, vem com tanta impurezas que, às vezes, nem sinto o gosto da erva. Nesse ambiente, impossível não pensar no chá verde como algo que serve apenas como remédio.

No entanto, o chá verde não faz bem de verdade? Não nego que ela seja uma bebida saudável. Como muitos alimentos por aí, tem substâncias, descobertas ou em vias de, que podem ser benéficas para a saúde. Pode até ajudar você a emagrecer ou ter uma pele melhor. Mas se não gosta de chá verde, não bebe!

Ps. Não sabe onde comprar chá? No meu caso, sempre tenho alguém no Japão que pode me mandar um chá de lá. Se não for o seu caso, tente esse site. Nunca tentei usá-lo, mas aparentemente Ed Motta compra seus chás aqui.

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Quando você vai para uma loja de produtos asiáticos, fica mais perdido que cachorro em mudança? Quando tenta encontrar algo numa mercearia chinesa, não consegue se comunicar com os lojistas? E quando vai a um mercado japonês fica confuso com o excesso de informações e cores? E o que fazer quando você encontrar uma receita em inglês mas não conhece os ingredientes?

Quando nos lançamos no desafio de explorar uma cozinha nova, é inevitável as confusões e dúvidas sobre ingredientes que nem nunca ouvimos falar antes. Hoje em dia, com a internet, encontrar receitas, tradicionais ou não, é extremamente fácil, mas muitas vezes somos barrados por não conhecer os ingredientes e suas traduções.

Para ajudar, pretendo apresentar alguns ingredientes asiáticos, que conheço melhor e suas diversas traduções para compreensão de quem quiser variar mais sua alimentação.  Os tópicos não terão muita ordem, mas apenas lançados a medida que vou comprando os produtos ou apresentando receitas novas no blog.  Apresentarei os nomes em inglês, bem como chinês, japonês e, às vezes, coreano, usando tanto a escrita latina quanto a original. Sobre o sistema de romanização utilizado, ver “Sobre ‘O Onívoro‘” (no final do texto).

Farinha de arroz

Chamado em inglês de rice flour, é feito a partir de arroz comum e muitas vezes é confundido com a farinha de arroz glutinosos (a troca do ingrediente numa receita pode ser desastrosa). Muito usado na confecção de doces japoneses como o uirō e o dango, além de ser o ingrediente principal do bifun.

O joshinko (上新粉) é um tipo de farinha de arroz comum japonês, diferente dos equivalentes chineses, coreanos ou tailandeses  no processo de fabricação. Também os tipos de arroz utilizado  resultam em produtos ligeiramente diferentes. No entanto, um pode ser usado tranquilamente como substituto de outro.

Chinês: 粘米粉 (nian mi fei),在來米粉 (zai lai mi fei),再來米粉 (zai lai mi fei)
Japonês: 上新粉 (jōshinko)

Farinha de arroz glutinoso

Conhecido como glutinious rice flour ou sweet rice flour em inglês, é chamado de mochiko (餅粉) em japonês e nuo mi fen (糯米粉) em mandarim. É usado em receitas como tangyuan, hwanjeon e senbei.

Elemento principal do shiratamako (白玉粉), pode substituí-lo acrescentando um pouco de amido de milho.

Chinês: 糯米粉 (nuo mi fen)
Japonês: 餅粉 (mochiko)
Coreano: 찹쌀가루 (chapssalgaru)

Cinco especiarias em pó


Na falta de um tradução melhor,  utilizarei o termo “cinco especiarias em pó”. Em inglês, é chamado de five-spice powder, gokōfun em japonês e wuxianfen em chinês, sendo a grafia a mesma nas duas últimas línguas (五香粉).

A composição das especiarias pode variar. Na verdade, existe duas misturas mais comuns. Um leva “canela chinesa” (casca de cassia, Cinnamomum aromaticum), flores secas de cassia, anis estrelado, semente de anis, cravo e gengibre. A outra leva pimenta de Sichuan, cassia, aniz estrelado, sementes de funcho e gengibre.

Muito usado na cozinha cantonesa, é tempero essencial em pratos como o char siu e o  pato de Pequim. Às vezes, uso também no mapo dofu, chahan e em recheios para baozi, jiaozi (em japonês, gyoza) ou em um simples refogadinho com legumes.

Chinês: 五香粉 (wuxianfen)
Japonês: 五香粉 (gokōfun)
Coreano:  오향분(ohyang-bun)

Karashi ou gyuja garu

Chamado, às vezes, de mostarda japonesa (Japanese mustard), é feito, na verdade, a partir das sementes da Brassica juncea, enquanto a mostarda que você usa no sanduíche é feito a partir Sinapis hirta.  Mais forte que essa última, deve-se ser usado com parcimônia, pelo menos, até se acostumar.

É vendido em duas formas. Creme, em bisnagas, ou em pó, em embalagens plásticas ou latas.  Indicado para acompanhar pratos como: tonkatsu, oden, nattō, shūmai, etc.

E se quiser inovar, tente colocar um pouco desse pó na polenta ou purê de batata e verá a diferença…

Japonês: からし, 芥子, 辛子 (sempre se lê karashi).
Coreano: 겨자가루 (gyuja garu)

Ps. Uma dica: quando for comprar produtos em uma loja chinesa, onde ninguém fala português, é escrever ou imprimir (opção anti ecológica) os nomes em chinês e mostrar para o atendente. Se você tiver um smartphone ou qualquer dispositivo portátil onde é possível visualizar arquivos Jpeg, você pode tirar uma foto da tela (tecle “Print Screen”, cole no Paint Brush e salve como Jpeg) e depois mostre ao lojista para ele saber o que você procura.


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